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Sábado, Fevereiro 28, 2004
Lágrimas e chuvas se misturam, tens que ser sincera quando vier o sol, pois podes bem dizer que as lágrimas que caem dos teus olhos são meramente grossos pingos de chuva, que caem nesta tarde de verão, mas bem sei que são lágrimas! Os pingos de chuva caem na terra deixando o dia sombrio e comprido, as pessoas estão enfurnadas em suas casas, enroladas em seus cobertores, assistindo televisores, tomando cafezinhos e chás diversos, muitos observando as ruas molhadas, outros dormindo ao som da chuvarada, poucos, muito poucos, lendo livros, revistas e artigos, poucos ainda sonhando com dias de sol, pois, quem realmente não gosta de uma tarde chuvosa, levemente fria e convidativa para dormir? Talvez você não goste, e daí, as chuvas não pararão de cair, taciturnas ou estrondosas, aconchegantes ou irritantes e etc.
Mas hoje o dia não está assim, digamos que o parágrafo anterior seja um lembrete de toda a semana que termina hoje. Na quinta-feira a Lua estava mais que bela, a estrela D'Alva despontava vigorosa no céu estrelado, o clima estava gostoso e repleto de brisas aconchegantes, em síntese uma noite muito bonita, muito boa para passear ou para ficar na rua conversando com os amigos e vizinhos, digamos que tal noite foi um presente para nós paulistanos que já estávamos vivendo um período de chuva comprido. Logo na sexta-feira o sol veio a aquecer as pequenas plantas e ao nosso corpo também, um dia com poucas nuvens e um tremendo céu azulado, mas já à noite a chuva veio afagar o nosso sono. Escrevendo assim até pareço um fiscal de tempo ...
... até mais
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Kleiton 9:14 PM
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Domingo, Fevereiro 22, 2004
BRIDGE OVER TROUBLED WATERS .::. Simon & Garfunkel .::.
When you're weary, feeling small,
Quando estiveres cansada, sentindo-se pequena.
When tears are in your eyes, I will dry them all;
Quando as lágrimas estiverem em seus olhos, eu secarei todas elas.
I'm on your site. When times get rough
Eu estou ao seu lado. Quando o tempo estiver ruim
And friends just can't be found,
E os amigos simplesmente não possam ser encontrados
Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas
I will lay me down.
Eu me colocarei
Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas
I will lay me down.
Eu me colocarei
When you're down and out,
Quando você estiver na pior
When you're on the street,
Quando você estiver pelas ruas
When evening falls so hard,
Quando a noite cair duramente
I will comfort you,
Eu confortarei você,
I will take you part
Tomarei conta de você
When darkness comes
Quando a escuridão vier
And pain is all around,
E a dor estiver em toda parte
Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas
I will lay me down.
Eu me colocarei
Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas
I will lay me down.
Eu me colocarei.
Sail on, silver girl,
Navegue, garota de prata,
Sail on by.
Navegue por ai.
You time has come to shine,
Seu tempo chegou para brilhar,
All you dreams are on their way.
Todos os seus sonhos estão em seu caminho.
See how they shine, oh
Veja como eles brilham
If you need a friend,
Se você precisa de um amigo
I'm sailing right behind.
Eu estou a navegar bem perto de você.
Like a bridge over troubled waters
Como uma ponte sob águas turbulentas
I will ease your mind.
Eu aliviarei sua mente.
Muito boa esta música do Simon & Garfunkel, não acham?
Até mais ...
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Kleiton 7:41 PM
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Sábado, Fevereiro 21, 2004
Resolvi colocar este som de fundo "Nocturne, Opus 9", que é um midi feito a partir desta sublime composição do músico célebre Frederic François Chopin. Mesmo achando chatice algumas músicas repetitivas que geralmente se coloca nos sites por aí, optei por uma composição gostosa e relaxante, creio eu que ela torna um pouco mais agradável a visita, pois adoro a obra de Chopin e cada vez mais quero deixar este blog com a minha cara, com minha personalidade um tanto solitária e com a minha visão do mundo. Espero que vocês apreciem este belíssimo midi, que na verdade nem ao menos parece um, pois sua qualidade é muito boa, procurem, assim como eu, conhecer a obra deste célebre homem, que foi e sempre será um dos maiores compositores de todos os tempos, pois suas composições parecem adentrar a alma e chegar no íntimo de cada um de nós, não sei se vocês conseguem descobrir isto, mas é uma sensação tão introspectiva que temos quando deixamo-nos levar pela batida suave e concentrada do piano.
Quando ouço uma música procuro achar um cenário ideal para poder me deixar levar por ela, a imagem que me vem a cabeça quando ouço as composições do Chopin, é um lugar como se fosse um aconchegante bar, com sua luz tímida e bruxuleante, paredes de cores fortes como cor de vinho ou, até mesmo, de madeira, um lugar com poucas pessoas, uma bebida forte que nos fazem viajar em nossos pensamentos e enxergar espectros ao relento, e logicamente, um pianista descarregando notas em um piano de cauda, tocando uma balada triste e solitária, como se ele estivesse inebriado por uma forte dor na alma, dor esta que tomasse o ambiente da composição do lugar, com suas cores escuras, pessoas desiludidas e vagamente distantes de suas verdadeiras condições, um lugar com bebidas fortes e um ambiente de fuga, enfim, tão suave esta música me é, que só me faz buscar um ambiente sobrecarregado de sentimentos um tanto cautelosos.
Chopin é muito especial para mim ...
Até mais ...
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Kleiton 10:04 PM
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É difícil escrever alguma coisa quando não se tem nada a escrever, pois bem, quem sabe alguma coisa aflora neste meu cérebro desprevenido de pensamentos e acontecimentos mil, creio que se tudo que eu monologasse fosse geralmente gravado, estaria certo de que teria muita coisa para postar aqui, pois gosto muito de falar as coisas para que eu mesmo ouça. Paro um pouco e tento lembrar de algo ou até mesmo criar um texto ficcional, mas ... meus caros colegas são "ócios do oficio", ou melhor da mente mesmo, se é que me entendem. Pensando bem, consigo enxergar um vago resquício de memória...
... estava eu no ônibus um dia destes indo para Santana, um bairro aqui em São Paulo, quando me deparei com uma leva jovens saindo de suas respectivas escolas, no percurso da trajetória do veiculo fiquei pensando que menos de três meses atrás eu era um deles, e bateu uma saudade imensa dos meus tempos de escola. Quem lê estas linhas mal feitas pensa que sou um cara velho que fica lamentando a sua senilidade discutindo suas memórias estudantis, não esqueçam que tenho somente 18 anos, mas uma coisa latente em mim é sentir saudades de tudo, até mesmo dos tempos em que eu não era mais que um ser inexistente, ou seja, sinto uma nostalgia estranha logicamente ligada a épocas distantes e até mesmo remotas.
Sou uma pessoa muito ligada em objetos antigos, historias de outros tempos, tempos estes que em nada fazem lembrar o presente momento, aprecio as coisas que me fazem viajar à um passado, gosto de pedras e rochas, até desde pouco tempo atrás estava decidido em fazer geologia, uma idéia que perdurou desde a 4a. série, mas que definhou por causa da falta de coragem em enfrentar a química, matemática e física, gosto de geologia porque ela me causa um espírito desbravador e ao mesmo tempo autodidata, pois a pessoa se torna um pesquisador que vai em busca de seus próprios conhecimentos para designar um trabalho que dependerá de sua total responsabilidade, mas enfim, gosto também de selos até tenho alguns mas nada em caráter de coleção, gosto de livros, isso não há duvidas, as histórias que mais me fascinam são aquelas de cavalaria, de cortes reais, de peregrinos, etc, na verdade um livro tem que me dar uma visão cinematográfica, pois é constante a minha busca de atores e atrizes para compor o elenco de personagens do romance, acho isso comum entre as pessoas que lêem, principalmente entre os responsáveis por filmes, novelas, teatros e etc. Gostaria de saber se isso é algo comum entre vocês que gostam de apreciar a arte da literatura? Finalizando, gosto de tudo que cria uma vazão e me faz distanciar-se do mundo contemporâneo, podendo ser uma música, um livro, um filme, adoro filmes e não fico perdendo tempo analisando possíveis críticas decorrentes de um punhado de gente que acha que são os donos da verdade e rotulando as coisas ao seu bel-prazer.
Essa semana eu aluguei filmes: "As Lendas da Paixão", já o assisti umas seis vezes, é um dos filmes mais belos que já assisti e um dos que eu mais gosto também, justamente por ser triste, gosto de filmes assim; "Planeta do Tesouro", é uma animação muito divertida baseada na obra do autor da Ilha do Tesouro, não me recordo seu nome agora, uma versão intergaláctica desta obra grandemente fantástica, no sentido de fantasia mesmo; "As Pontes de Madison", que não deu tempo de assistir; "Pocahontas", sendo um dos primeiros filmes que aluguei quando meu pai comprou o vídeo aqui de casa, é um desenho muito bem feito, na minha opinião que não é técnica mas plástica, mostra a imponência da cultura indígena dos norte-americanos e de certa forma nos faz refletir o baque causado pelo encontro de tais culturas, fazendo-nos pensar como a vida dos indígenas foi alterada desde então; "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres", não sei se foi uma falta de observação minha mas, cadê as Duas Torres? Não as vi, elas estavam lá? Mas mesmo assim gostei mais deste do que do primeiro! Fazendo um balanço final dos filmes: valeu a pena!
São tantas coisas que me apego, como se eu quisesse viver em uma época que não foi minha, fico imaginando como as pessoas viviam no passado, seus comportamentos, seus sonhos, seus empreendimentos, suas riquezas, enfim, quando leio livros, vejo fimes, guardo selos, fico imaginando tudo isto, até mesmo colecionando rochas isso me vem a mente, pois as rochas são testemunhas da idade da Terra e são moldadas por eras intermináveis, pelos ventos, pelo fogo, pelo ar e pela água e, finalmente, a mão do homem vem dar o toque final extraindo da pedra a sua beleza.
Finalmente vou vivendo nessa constante busca do passado, meu passado e conseqüêntemente de todos nós!
Até mais pessoal ...
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Kleiton 12:27 AM
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Sábado, Fevereiro 14, 2004
Em sonhos eu te disse que admirava o céu em seu estado crepuscular, com suas cores confusas se misturando e refletindo o requiém do Sol, cerimônia de passagem entre o dia e a noite, o céu em suas matizes laranjas, roseas e timidamente azuis, formando assim uma aquarela fortemente aguada, um mármore em efeito e cores que despertam em mim uma terna saudade, como se me despedisse do efêmero momento que jamais voltará, assim eu respondi a sua pergunta. Porém, tu me disseste que achavas o céu magnâmico no desenrolar de sua noite escura, levemente iluminada pelo brilho das estrelas, estrelas estas de varias cores e distâncias, disseste que o céu escuro da noite te inspirava misticismo e que a Lua, grande astro, completava tal quadro de mistério, um lindo quadro de amores e fulguras, pois o que há de mais romântico do que um casal em uma noite enluarada, deste modo respondeste minha pergunta.
Agora me vem a conclusão sobre nós dois: tenho o saudosismo de uma tarde em chamas, matizadas de cores múltiplas de puro lamento, de algum modo que me inspire saudade e despedida, já tu tens o romantismo e o frescor das noites estreladas e com seus luares, sobretudo tens o fulgor das noites misteriosas, logo, nós dois, ao sermos de tal modo um só ser, detemos todos os segredos da felicidade, como a saudade e o sentimento efêmero dos apaixonados que se energizam a cada noite romântica e misteriosa, como o subjetivismo causado pelas noites de luares nacarados, subjetivismo este que o misticismo trata de converter a saudade que sinto por tí em amor eterno nas noites que duram a eternidade em teus afagos...
...Até mais pessoal ...
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Kleiton 12:53 AM
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Domingo, Fevereiro 08, 2004
A NOITE DE TODAS AS ALMAS
Fogueiras pontuam as encostas onduladas.
Figuras dançam ao redor e ao redor.
Tambores pulsam ao longe os ecos da escuridão,
movimentando o som pagão.
Em algum lugar dentro de uma memória oculta,
imagens flutuam diante dos meus olhos.
Das perfumadas noites das palhas e das fogueiras
e dançando até o próximo nascer do Sol.
Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Candeias e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.
Figuras de talos de trigo curvam-se nas sombras,
sustentando-se bem alto, como as enormes chamas a pularem.
O cavaleiro verde adentra a mata sagrada
para indicar por onde o ano velho vai nos deixar.
Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Candeias e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.
Fogueiras pontuam as encostas onduladas.
Figuras dançam ao redor e ao redor.
Tambores pulsam ao longe os ecos da escuridão,
e movimentando o som pagão.
Fincadas sobre a ponte aquelas cruzes.
O rio vai-se embora para o mar.
O vento está saturado de milhares de vozes.
Elas caminham próximas da ponte e de mim.
Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Candeias e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.
Letra da Canção de Loreena Mckennitt.
Tradução: Luiz Lima
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Kleiton 10:10 PM
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PARA QUE SERVE O HORIZONTE?
Certa vez alguém chegou no céu e pediu pra falar com Deus porque, segundo o seu ponto de vista, havia uma coisa na criação que não tinha nenhum sentido...
Deus o atendeu de imediato, curioso por saber qual era a falha que havia na Criação.
- Senhor Deus, sua criação é muito bonita, muito funcional, cada coisa tem sua razão de ser... mas no meu ponto de vista, tem uma coisa que não serve para nada - disse aquela pessoa para Deus.
- E que coisa é essa que não serve para nada? - perguntou Deus.
- É o horizonte. Para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo em direção ao horizonte, ele se afasta um passo de mim. Se caminho dez passos, ele se afasta outros dez passos. Se caminho quilômetros em direção ao horizonte, ele se afasta os mesmos quilômetros de mim ... Isso não faz sentido! O horizonte não serve pra nada!
Deus olhou para aquela pessoa, sorriu e disse:
- Mas é justamente para isso que serve o horizonte... " para fazê-lo caminhar "
...
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Kleiton 5:37 PM
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Sábado, Fevereiro 07, 2004
São João da Cruz, conhecido como fundador e frei integrante da Ordem dos Carmelitas Descalços, ordem religiosa iniciada há cerca de 500 anos atrás, foi um exímio poeta, sua obra dotada de misticismo e religiosidade veio a influenciar, eras mais tarde, a poesia do simbolista Cruz e Souza. A poesia de João da Cruz se caracterizava por um trabalho rico e delicado, tendo em suas obras, em caráter metafórico, uma poesia de amor voltada ao seu Deus, porém, poderia ser relacionada ao amor entre duas pessoas em qualquer época. Após muitas dificuldades com os carmelitas da antiga observância, João da Cruz é preso e levado para um convento, onde é maltratado e experimenta a aridez da "Noite Escura".
NOITE ESCURA
Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.
A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!,
a ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.
Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma cousa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.
Ó Noite que guiaste!,
ó Noite amável mais do que a alvorada!,
ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!
No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.
Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.
Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.
(tradução de Jorge de Sena)
No cárcere começa escrever seus poemas que, mais tarde, tornar-se-ão as grandes obras que hoje temos dele. Passados alguns meses ele foge e continua a Reforma Carmelitana. Frei João da Cruz vive em várias casas exercendo brilhantemente a função de superior e orientador de almas.
O poeta místico, designado como santo, morre em 1591 legando para nós um patrimônio espiritual riquíssimo, que ainda continua orientando os homens na vida espiritual. João da Cruz é um guia certo para todos aqueles que desejam escalar o monte da perfeição. Um poeta de extrema importância para a literatura religiosa e para a secular também, pois seus poemas evocam o que há de mais belo em termos de poética, sua poesia como um todo, sem exageros, invade a alma do ser que a sente, não é muito difícil admitir a contemporaneidade de sua obra, pois desde sempre se buscou a escala da perfeição e aos assuntos de Deus, já que somos incertos de nossa passagem para a possível vida que nos espera após a morte, já que somos leigos por natureza e estamos participando de um grande palco, aonde o mundo é um teatro dirigido por Deus e a vida é uma comédia ou uma tragédia e cegos pelo cenário, esquecemos de onde viemos e para onde vamos, ou seja, aquele antigo dilema: qual o sentido da vida? São João da Cruz talvez tenha descoberto, pois escreveu como ninguém para o seu Deus, talvez Deus seja o sentido da vida e só uma alma tão sublime quanto a dele tenha sentido isso, já que na vida nos é permitido sentir.
Gostaria de ir mais profundamente na obra de São João da Cruz e conhecer a sua Via Sacra, os seus ais, as suas penas e os seus delírios, sentir em cada verso de seus poemas uma escala para chegar ao máximo que nos é vetado, enfim conhecer as suas ânsias e a sua vida.
Buscando meus amores
Irei por estes montes e ribeiras;
Não colherei as flores,
Nem temerei as feras,
E passarei os fortes e fronteiras.
( Cântico Espiritual, III)
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Kleiton 10:00 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
Estou ouvindo muitas músicas ultimamente, músicas de todos os tipos que manda o bom senso, eu acho que estou passando por uma fase solitária e o papel da música seria, como sempre, o de espantar os meus males, assim como diz o ditado, não que eu esteja sozinho por não ter alguém com quem conversar, fato que já me aconteceu num momento muito crítico para mim, numa época que eu me refugia na literatura, e como já comentei, cheguei a ler muitos livros feito um louco, me lembro que escrevi num livro que ele era o meu melhor amigo, hoje eu necessito de ficar um tempo só comigo mesmo, e quando isso acontece, acho o que eu preciso, paz na alma, só me sinto assim quando ouço uma bela música no escurinho do meu quarto. Têm-se muitas vantagens em curtir um pouco o som do silêncio, pode parece maluquice em se ouvir tal som, mas ele existe e só se deixa ouvir quando todos os outros sons se calam, assim como o Uirapuru que na Amazônia canta quando todos os outros pássaros param de assoviar, esse som de que falo é a consciência de cada um de nós, ouvi-la é mais que uma vontade, é uma necessidade para mim, pois gosto de refletir sobre mim, analisar a trajetória da minha vida e buscar ver o sentido de minha existência.
Quando falo em solidão, penso nos monges que vivem "enclausurados" nos mosteiros do Tibet, e penso o quão são privilegiados, vivem nas alturas do teto do mundo, mais perto da consciência coletiva que é Deus, lembro também de um livro que li, ZOROASTER,que conta a história do profeta Zaratustra, esse homem nasceu como um ser comum e passou boa parte de sua vida procurando o salvador que viria resgatar o seu povo do mal, conhecido como Saadi, tal homem, buscava em todos os lugares o escolhido, que tinha por nome Zoroaster, procurando por todos os lugares veio descobrí-lo na solidão após dez anos de reflexão tirando a conclusão ser ele próprio o preparador do caminho, aquele que conduziria o seu povo à salvação, Zoroaster, não mais Saadi, viria a fundar uma religião que permaneceu em vigor por muito tempo na região da Pérsia, o Zoroatrismo, fundamentando o caminho que leva até deus, e assim destruindo o poder de Ormuz, ente do mal mantido pela própria perversidade humana.
Neste exato momento estou ouvindo "Romaria", interpretada por Elis Regina, esta música me lembra o período da literatura conhecido como Barroco, o homem desse período, levado pela sua falta de perspectiva perante a sua sujeição diante da sua condição de mortal, dizia ser a vida passageira, e essa transitoriedade da vida, relacionada à presença da morte e da degradação física e moral foram marcantes na arte produzida no barroco. "Romaria" evoca essa atmosfera de incerteza, a falta de perspectiva do homem e a sua vida errante que o faz buscar Deus em procura da salvação de sua alma, que é eterna. Esta música tem uma verdade, diria que explicita nela, a afirmação de que vida é uma passagem e de que a morte não existe quando se está com Deus. Empoeirados de arte rebuscada o Barroco reluz ao brilho do ouro das Igrejas encantadas, os seus cantares melodiosos ainda está a nos rondar nas letras de muitas músicas que hoje refletem a profundidade das letras douradas de um tempo antigo, não tanto assim, mas rebuscado por natureza.
Na verdade, acho esta música muito verdadeira e subjetiva também!
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Kleiton 12:21 AM
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