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Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Bom pessoal, antes de ir dormir, eu acho bom eu ir logo me apresentando! Eu me chamo Kleiton, tenho 18 anos, sou do signo de câncer, moro em São Paulo-SP, gosto de ouvir músicas, de ler, de fotografias, tirar fotografias, sair nelas jamais, certamente vocês raramente vão ver uma foto minha, pois quando eu não as rasgo, eu abandono as numa gaveta bem longe do meu alcance, gosto também de escrever, meu único problema é não conseguir prender as palavras por muito tempo em meu raciocínio, penso uma coisa, quando vou escrever me dou conta que não era aquilo que queria, mas voltemos ao monológo, também tenho manias de escritor, esporádicamente crio algumas poesias, certamente vou as colocar aqui, também gosto de teorias pessoais, tenho um monte delas, no momento não me vem nenhuma, pois não tenho costume de escrevê-las, este blogger também vai servir para organizá-las.
Autumn On Little River
Pronto comecei, o mais difícil já passou, agora é deixar o blog fluir como uma nascente de um rio que tão pequena no escurinho da floresta se tranforma num grande rio esplendoroso, cortando o mundo e limpando nossa alma.
Espero que todos vocês gostem do blogger! No momento ele está simplesinho, mas prometo, não, dou minha palavra que o melhorarei daqui pra frente.
Agora sim eu posso ir dormir sossegado! Mas antes, gostaria de parabenizar todos os funcionários públicos de todo o Brasil, por q hoje ser o dia deles ( ou será amanha?). Está dado os parabéns. Tchau!!!!!!!
postado por
Kleiton 2:08 AM
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RESÍDUO
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. De teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos de rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Si de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo fica um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revolver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mal cheiro da memória.
...
O título do Blogger leva o tema de um livro de um dos meus preferidos autores internacionais, o W. Somerset Maugham, mas é com esta poesia extremamente profunda do Carlos Drummond de Andrade que eu inicio os meus posts, que pretendo ser bem fiel no meu blog. Ninguém como esses dois homens fizeram expressar com tanta clareza os conflitos humanos, ora em suas poesia, como o Drummond, ora em seus romances, como o Maugham.
postado por
Kleiton 12:48 AM
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